Dra. Juliana Bergamini

O Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico caracterizado por um padrão persistente de desatenção, hiperatividade e impulsividade. Afeta entre 3% e 6% das crianças e adolescentes e está associado a disfunções em áreas do cérebro como o córtex pré-frontal, os gânglios basais, o cerebelo e circuitos neurais relacionados ao controle inibitório e à regulação do comportamento.

Dra Juliana

Dra Juliana Bergamini é pediatra e homeopata em Jundiaí-SP, com mais de 10 anos de experiência em atendimento de crianças e suas famílias sob o olhar da homeopatia.
Formada em medicina e com residência em Pediatria pela Santa Casa de São Paulo
Título de Especialista em Homeopatia pela Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB)
Mestra em Saúde Coletiva, Política e Gestão em Saúde, na UNICAMP

Diagnóstico do TDAH

A definição e o diagnóstico do TDAH são temas que frequentemente geram debates tanto na comunidade médica quanto na sociedade. Embora os critérios diagnósticos sejam bem estabelecidos, a subjetividade na avaliação dos sintomas pode levar a diagnósticos tardios ou, em alguns casos, precipitados. Além disso, é importante refletir sobre o impacto desse diagnóstico na vida da criança e da família. Etiquetar um comportamento como patológico pode gerar consequências emocionais e sociais, reforçando a necessidade de avaliações cuidadosas e multidisciplinares. Por outro lado, quando identificado de maneira adequada, o diagnóstico possibilita intervenções precoces que contribuem para a trajetória do paciente.

O diagnóstico do TDAH é essencialmente clínico, baseado em critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) e da Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Para confirmação do diagnóstico, os sintomas devem persistir por pelo menos seis meses e causar prejuízos em múltiplos ambientes, como casa, escola e interações sociais.

O TDAH apresenta três formas de manifestação:

  1. Predominantemente desatento: dificuldades em manter o foco, esquecer tarefas e perder objetos com frequência.
  2. Predominantemente hiperativo-impulsivo: inquietação constante, dificuldade em permanecer sentado e impulsividade elevada.
  3. Apresentação combinada: combinação dos dois subtipos anteriores.

Além disso, a avaliação envolve escalas comportamentais, questionários para pais e professores e, em alguns casos, testes neuropsicológicos para análise de funções executivas e memória operacional.

Etiologia e Base Neurobiológica do TDAH

O TDAH é um transtorno hereditário, com estimativas de herdabilidade em torno de 76%. Estudos genéticos identificaram regiões cromossômicas associadas ao transtorno, incluindo 16q21, 16q24 e 1p36, além de polimorfismos em genes como DAT1 (transportador de dopamina) e DRD4 (receptor de dopamina). Embora essas descobertas forneçam pistas sobre a predisposição genética, não há marcadores biológicos definitivos para o diagnóstico.

A neurobiologia do TDAH envolve disfunções nos sistemas dopaminérgico e noradrenérgico. O córtex pré-frontal, responsável pelo planejamento e controle inibitório, apresenta maturação mais lenta e menor volume cortical. Estudos de neuroimagem mostram redução no volume do núcleo accumbens, amígdala, hipocampo e putâmen, além de atraso na maturação cortical, particularmente nas regiões pré-frontais.

Fatores ambientais também desempenham um papel relevante, incluindo exposição a substâncias tóxicas (como chumbo), deficiência de ferro e zinco, prematuridade, baixo peso ao nascer e exposição à nicotina e álcool durante a gestação. Além disso, condições psicossociais adversas, como disfunção familiar, estresse materno e baixo nível socioeconômico, estão associadas a maior risco de desenvolvimento do transtorno.

Dra Juliana

Dra Juliana Bergamini é pediatra e homeopata em Jundiaí-SP, com mais de 10 anos de experiência em atendimento de crianças e suas famílias sob o olhar da homeopatia.
Formada em medicina e com residência em Pediatria pela Santa Casa de São Paulo
Título de Especialista em Homeopatia pela Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB)
Mestra em Saúde Coletiva, Política e Gestão em Saúde, na UNICAMP

Tratamentos Convencionais

O manejo do TDAH envolve abordagens multimodais, incluindo intervenções farmacológicas e psicossociais. As principais estratégias são:

  • Medicação estimulante: Os psicoestimulantes, como metilfenidato e lisdexanfetamina, são amplamente utilizados para regular a dopamina e melhorar o controle da impulsividade. Embora eficazes, podem causar efeitos colaterais como insônia, irritabilidade e redução do apetite.
  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): Focada no ensino de estratégias para controle da atenção, organização e regulação emocional.
  • Apoio educacional: Adaptações na escola, como tempo extra para tarefas e estruturação do ambiente de aprendizado.
  • Mudanças no estilo de vida: Atividade física regular, alimentação equilibrada e práticas de sono saudável auxiliam no controle dos sintomas.

Homeopatia no Tratamento do TDAH

homeopatia

A homeopatia é uma abordagem terapêutica que visa estimular o equilíbrio do organismo através de substâncias altamente diluídas. No contexto do TDAH, algumas formulações são usadas para ajudar a modular a impulsividade e melhorar a atenção, considerando as características individuais de cada paciente.

Detox Homeopático

Ton Jansen

Ton Jansen

Uma abordagem complementar que tem ganhado destaque é o método detox homeopático, que busca eliminar toxinas acumuladas e restaurar o equilíbrio bioquímico. Segundo Ton Jansen, no livro Combatendo Fogo com Fogo: Terapia Homeopática Detox, esse método associa a homeopatia clássica a protocolos de desintoxicação específicos, auxiliando na eliminação de substâncias que possam estar impactando a função neurológica.

Esse tratamento pode ser especialmente útil em crianças que tiveram exposição a poluentes, medicamentos ou outros fatores ambientais prejudiciais ao desenvolvimento neurológico. No entanto, deve ser conduzido por profissionais qualificados para garantir segurança e eficácia.

Abordagem Integrativa

O tratamento do TDAH pode ser aprimorado com estratégias complementares, como:

  • Alimentação anti-inflamatória: Redução de corantes artificiais, aditivos e excesso de açúcar pode melhorar a regulação comportamental.
  • Mindfulness e meditação: Técnicas de respiração e consciência corporal ajudam na regulação emocional e no foco.
  • Suplementação: Ômega-3, magnésio e zinco demonstram benefícios na modulação dos sintomas do TDAH.
  • Terapias complementares: Acupuntura, musicoterapia e exercícios físicos auxiliam no equilíbrio emocional e cognitivo

O TDAH é um transtorno complexo e heterogêneo que exige uma abordagem individualizada. O diagnóstico precoce e um tratamento estruturado são formas de minimizar impactos na vida escolar, social e familiar da criança. Enquanto a medicação e terapias convencionais continuam sendo as abordagens principais, alternativas como a homeopatia e o detox homeopático vêm ganhando espaço como opções complementares. O acompanhamento por profissionais especializados é essencial para garantir um tratamento seguro e eficaz.

Dra Juliana Bergamini é pediatra e homeopata em Jundiaí-SP, com mais de 10 anos de experiência em atendimento de crianças e suas famílias sob o olhar da homeopatia.
Formada em medicina e com residência em Pediatria pela Santa Casa de São Paulo
Título de Especialista em Homeopatia pela Associação Médica Homeopática Brasileira (AMHB)
Mestra em Saúde Coletiva, Política e Gestão em Saúde, na UNICAMP

Referências

  • Assumpção Jr., F. B. (Org.). Casos Clínicos de Psiquiatria da Infância e Adolescência. São Paulo: Atheneu.
  • Sociedade Brasileira de Pediatria. Tratado de Pediatria. São Paulo: Manole.
  • Jansen, T. (2019). Combatendo Fogo com Fogo: Terapia Homeopática Detox. Florianópolis: Homeopatia Integrativa.
  • https://www.tonjansenhomeopathy.com/

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